quinta-feira, 17 de maio de 2012


É só falta do que fazer
E eu não estou afim de esperar
Pode ser que seja mais dia
Pode ser que não seja mais
Nem sempre faz diferença
Saber ou não saber alguma coisa
Depende da utilidade da vida do ser
Depende do que é realmente útil
E se eu resolvesse esperar
Ainda assim estarei fazendo algo.

A revolução dos bichos*




*Livro de George Orwell, lançado no ano de 1945.

Em uma fazenda, animais se reúnem para tomar o poder e conquistar a sonhada liberdade. Queriam ser governados por eles mesmos. Os porcos Napoleon e Snowball traçam planos secretos, e num descuido do fazendeiro, expulsam os humanos de lá. Cria-se um novo Estado, uma nova forma de governar. No novo mandamento, exalta-se a frase “Todos os animais são iguais”. Mas não demora muito para que os porcos tornem esse novo governo tão injusto, corrupto, prisioneiro e explorador como o anterior. Refazem os mandamentos e declaram:
Todos os animais são iguais, mas uns mais iguais que os outros”


Li “A Revolução dos Bichos” na metade do ano passado, pouco depois de ter lido pela segunda vez “O Manifesto do Partido Comunista” de Engels e Marx. Lidos em sequência, deram um impacto no meu pensamento e pude analisar melhor as coisas.
Quando li “O Manifesto do Partido Comunista” pela primeira vez, achei fantástica a forma como Marx analisou a sociedade e me admirei que os problemas do mundo em 1948 fossem os mesmo do mundo de 2011.
Após ler “A Revolução dos Bichos” e, logo em seguida, reler “O manifesto” pude ver as coisas mais reais, mais ao fundo. Marx foi ótimo analisando a sociedade, mas esqueceu de um detalhe importantíssimo: o Homem! Pode-se mudar todo o regime, mas se o SerHumano não mudar a forma de pensar, nada adianta. Foi o que aconteceu na URSS, foi o que aconteceu na fazenda.
Outro ponto que passei a pensar e analisar depois dessas leituras, foi de como o homem escolhe se submeter. Logo no começo do enredo de Orwell, os porcos decidem que as maçãs que caíram no chão deveriam ser apenas deles, pois eles têm todo o trabalho mental de organizar a sociedade. Os demais animais não contestam, aceitam e acham que é justo.
O SerHumano sempre teve a opção de escolher. Muitas vezes, escolheu não escolher. Há quem diga que nem sempre o homem pode escolher e, de exemplo, citam fatos como a escravidão, a servidão aos senhores feudais na Idade Média, a ditadura (qualquer que seja ela). Mas o fato é que, independente da situação, o escravo, o servo, o proletariado deixou-se dominar pela minoria.
No nosso tempo, o homem deixa a mídia dizer o que ele deve vestir, ouvir, usar, pensar, ler, escrever, rever, parar, olhar tudo superficialmente. A maioria é escrava do seu tempo. Mas o homem deve superar a si mesmo. Comunistas discordarão, mas o fato é que todos têm a mesma chance, só esquecem de pensar além.
A sociedade é feita pelos homens que nela vivem; os homens se escolhem, se fazem nessa sociedade e moldam o meio. É um círculo vicioso. É a cobra mordendo o próprio rabo. É o materialismo dialético do Marx dissolvendo toda a revolução. É contraditório sim, mas é assim a verdade (não a única verdade, apenas uma delas).
Filósofos sempre buscam o que é eterno. E tudo que estudei sobre História, Filosofia, Sociologia me mostram que a maioria sempre baixou a cabeça, se submeteu e reclamou. Nada além disso.
Cada um deve buscar o seu meio de superação. Tentar superar a sociedade, é perda de tempo.

domingo, 6 de maio de 2012

Homem feito
Homem de barro
Qualquer vento
E se desfaz
Assim que vem vontade
Volta a ser
Se molda
Não gosta
Fica a mercê do tempo
E há temperamento:
Fúria
Ternura
Tristeza e ódio
Poucas são as coisas que mudam
A maioria das pessoas são iguais.